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segunda-feira, 3 de março de 2008

TROPA DE ELITE MOSTRA A PODRIDÃO DO SISTEMA

- Resolvi assistir o filme Tropa de Elite por insistência de alguns amigos. Para mim não teve nenhuma novidade. O diretor José Padilha mostra apenas a colheita daquilo que foi semeado pelo apartheid imposto pela classe hipócrita e corrupta dirigente do Brasil nos últimos cinco séculos de segregação.

- Felizmente no nosso curto e precário sistema democrático imperfeito[1] podemos assistir a um filme como Tropa de Elite, o qual teve a coragem de mexer em paradigmas sociais cristalizados a partir do senso comum imposto por muitas autoridades e mídias de que bandido sempre é preto, pardo, pobre e prostitutas de pouco preço. Infelizmente para o povo, de acordo com o pensamento ilusório, deturpado e falso da realidade social (senso comum) é exatamente estes que devem morrer ou irem para os chiqueiros prisionais mantidos pelo Estado do Bem Estar Social (Estado do Bem Estar Social ou Estado Policial para os excluídos da Nova Ordem?)

- O filme desnuda verdades que são dissimuladas por muitas autoridades e mídias a decênios. Escâncarra a realidade de muitos soldados policiais, sargentos e oficiais mergulhados em corrupção, mal preparados, mal equipados, com salários baixos e que agem na maioria das vezes em um meio social miserável sem a presença do Estado, a não ser através da força dos fuzis. No fundo são também vitimas, que estão a policiar comunidades pobres e o pior: muitas vezes matando pessoas pobres em uma espécie de eugenização balcânica indireta.

- Observei que no filme os vilões não são os de sempre. O diretor teve a coragem de mostrar uma outra classe de vilões integrantes da classe média que acabam não sendo punidos no desenrolar do filme, além da impunidade dos corruptos é claro.

- Observa-se em determinado momento a presença de alunos que cursam Direito, filhinhos de classes sociais abastadas, muitos viciados em drogas, alguns trabalham em uma ONG que ocupa o lugar do Estado dentro de uma favela.

- Esses acadêmicos de Direito são mostrados em uma sala de aula, apresentando um trabalho sobre Michel Foucault. Para mim tal fato não foi por acaso. Tentam enquadrar a violência do Brasil na visão do renomado sociólogo francês. Os estudantes criticam a violência policial, sem saber o porquê das raízes históricas da violência gerada pelo próprio Estado[2].

- Em minha opinião, o filme deveria de abordar também os muitos ricos que estão por trás do tráfico de armas e drogas e que moram em apartamentos luxuosos de cobertura. Alguns são políticos, empresários e funcionários públicos das mais diversas áreas do Estado.

- Algumas vezes o Estado policial prende ou mata com facilidade algum gerentezinho das drogas em favelas miseráveis, mas é difícil pegar os que estão hierarquicamente muito acima dele. Estes possuem muito dinheiro sujo, prestígio, advogados e dezenas de recursos judiciais a disposição a partir do momento em que são presos pela boa polícia.

- O filme deixa transparecer a omissão do Estado em dar a proteção adequada para a população pobre da favela. Seus moradores para muitas pessoas da elite deminadora são considerados cidadãos de 2ª classe ou simplesmente pessoas invisíveis.

- No enredo do filme temos policiais que se sobressaem pela honestidade e honra. Alguns são até perseguidos. Na vida real a arma que mata um policial honesto, em alguns casos, quando denunciados pela mídia, tem divisas ou estrelas no cano. É o câncer do sistema dominando e contaminando o que resta de bom.

- Na seqüência do filme, policiais descontes com a corrupção tentam migrar para o BOPE. Esse pelotão de elite é formado por homens altamente selecionados. É um pelotão de homens virtuosos e incorruptíveis que representam menos de 1% de aproximadamente 45.000 homens da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O pelotão passa a atuar quando o restante da polícia não consegue manter mais o controle. O pelotão usa de técnicas violentas e é considerado por muitos como fascista. As origens desses pelotões assemelham-se as tropas das SS da Alemanha de Adolf Hitler.

- O sucesso do filme junto à população cercada cada vez mais por criminosos, psicopatas e traficantes já era de se esperar. Afinal de contas quem realmente paga o preço da violência são os moradores dos bairros da periferia e das favelas que são obrigados a seguirem os ditames do Estado criminoso paralelo gerado pela omissão do Estado Oficial. O BOPE na visão simplista do povo é o remédio amargo para os criminosos que não usam ternos e gravatas.

- Seria interessante se os 45.000 homens da Polícia Militar carioca se transformassem em BOPE? Para muitos a resposta seria sim, desde que as suas técnicas atingissem os bandidos de terno e gravata e não apenas os bandidos da periferia ou das favelas, mas isso é apenas uma utopia baseada no senso comum popular.

- Enfim, não resta a menor dúvida, é um longa-metragem que teve a coragem de mexer na nossa identidade cultural, desmascarando criminosos dentro da corporação policial e integrantes da classe média. O filme manda uma mensagem direta para os bons políticos que ainda não se tornaram um POLITINALHA (mistura de político com canalha).



[1] - Em torno da metade das nações do planeta têm regimes que podem ser qualificados como democráticos. Apenas em 28 existem uma democracia plena, segundo a publicação “O Mundo em 2007” do “The Economist”. O Brasil ocupa o 42º lugar de 150 no ranking das democracias, sendo considerado uma democracia imperfeita.

[2] - Para se aprofundar no assunto consultar o livro GUERRA CIVIL – ESTADO DE TRAUMA do pesquisador, historiador e especialista em literatura médica Luís Mir.


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

MEXER EM PARADIGMAS É PERIGOSO?

- O lançamento do livro “A cabeça do brasileiro”(1) do pesquisador Alberto Almeida com certeza não irá agradar a alguns, principalmente políticos e outros grupos de direita ou de esquerda que sobrevivem da falta de conhecimentos das massas ignaras. Não faltará todo o tipo de argumentos maquiavélicos para desqualificar a pesquisa por parte da trupe elitista que se mantém no poder, incluindo algumas ONGS que mascaram muitas realidades sociais do Brasil. Afinal de contas eles têm que manter o mito das massas pobres, ingênuas e éticas, de preferência jogando as mesmas contra a classe média, como se fosse a culpada por todos os males deste País. Exemplos não faltam, pois até o Ilmo. Sr. Presidente Lula, da modorrenta República brasileira, em certos momentos de desgaste governamental, como já demonstrado na mídia, não hesita, maquiavelicamente, em jogar os pobres contra a classe média.

- O livro, infelizmente, será lido por uma minoria de brasileiros e a grande maioria nem tomará conhecimento, a exemplo do presidente da República que é avesso à leitura. O livro estará provando que a única saída para a República Federativa do Brasil é a EDUCAÇÃO, com todas as letras maiúsculas. Alias, neste blog, há algumas matérias sobre o assunto EDUCAÇÃO. Se você fizer parte da minoria que gosta de ler dê uma olhada e depois tire as suas conclusões e faça as suas críticas.

- A falta de senso ético e de outros pontos de vista apontados no livro por parte do brasileiro com pouco instrução tem um nexo causal centrado em atitudes educacionais de governos anteriores que, estrategicamente, retiraram do currículo do Ensino Médio disciplinas que ajudariam o brasileiro a compreender melhor o seu país. Estamos nos referindo as disciplinas de “Organização Social e Política do Brasil – (OSPB)” e “Educação Moral e Cívica – (EMC)”. Nas IES retiraram a disciplina de “Estudos dos Problemas Brasileiros”. Revanche pela ditadura? As coisas que deram certo no período ditatorial deveriam de ser mantidas e aprimoradas para o bem da democracia social, pois com certeza o Brasil seria um pouco melhor em termos de educação. Até prova em contrário, os que combateram a ditadura são os principais culpados pelo fracasso do ensino brasileiro e de até termos pessoas que mal sabem ler e escrever cursando alguma faculdade privada de qualidade altamente duvidosa.

- O livro do pesquisador Alberto Almeida poderá ser um marco que jogará mais luz em paradigmas anacrônicos e quem sabe despertar, em poucos, um caminho revolucionário para mudanças estratégicas educacionais como a transdisciplinaridade. O problema principal é o povo ignaro que é dominado por mídias poderosas e grupos que preferem que as coisas continuem assim, bem no estilo Big Brother do filme “1984” ou do filme “Fahrenheit 451”. Quem viver ou sobreviver verá as mudanças nos próximos anos!

(1) ALMEIDA, Alberto. A Cabeça do Brasileiro. Editora Record, 1. ed – 2007.